domingo, 31 de agosto de 2008

Um dia de merda - Luis Fernando Veríssimo

Aeroporto Santos Dumont - RJ, 15:30...
'Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas,atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas.
Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.'Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'. Entrando no ônibus, sem sanitários...
Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei: 'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.'
'Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.' O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista. '
'Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo'. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento.
Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais,
indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se
acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada , mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e
convidá-los a apreciar na privada.Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério:
'Cara, caguei!'
Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei.'Pior que isso não fico'.
Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das
que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado... Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez.
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.
Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos
curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'
Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para
analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o'check-in' e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do
boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. 'Ele tinha despachado a mala com roupas'. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.
A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.
Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda . Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10.Teria que improvisar... A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.
Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portãode embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.
A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: 'Nada, obrigado.'
Eu só queria esquecer este dia de merda .
Um dia de merda...
* Luis Fernando Veríssimo* (verídico).




Este selo acima recebi da Diana Rosa Azul.
Adorei!!!
Obrigada pelo carinho!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ninho temporáriamente vazio



Toda mãe sabe que uma hora os filhos vão começar deixar o ninho, devagarzinho, aos poucos... E com certeza nenhuma mãe está preparada para isso, independente da idade que o filho(a) tenha.


Hoje minha casa está quieta, silenciosa demais e incrivelmente vazia, sem aquela pessoinha falando, mexendo em tudo e principalmente chamando "mamãeeee" a cada dois minutos.
Pois é, ela saiu das escola direto para a casa de uma amiga, já foi para almoçar e só volta amanhã à noite.


É claro que é gostoso ficarmos só eu e meu marido em casa, mas fica incompleto. Sem levar em consideração a preocupação que se tem, "será que ela comeu direitinho (e pode ter certeza que comeu, ela come tudo o que não come ela)?","será que vai conseguir dormir?", "será que não vai esquecer de mim?", será, será será... eu sei que ela está bem e feliz, que está se divertindo muito, mas...


Vão ser 2 dias muito longos!!!



Selinho



Recebi este selinho da Resolvida, amiga muito constante e querida.



O blogs escolhidos têm o direito de exposição do selo em suas páginas, sob a condição de algumas gentilezas: *Divulgação do seu *conceito; *Divulgação do blog que o produziu - Degustação Íntima (CasalqseAma*); *A forma original do selo não deve ser modificada;


Na verdade, eu deveria repassar para algumas pessoas, porém resolvi fazer diferente desta vez e oferecer à todos os amigos que diáriamente visitam o meu blog e deixam comentários.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Falso seqüestro

Hoje, pela manhã, meu pai recebeu uma ligação no telefone fixo da frutaria (meu pai continua trabalhando, apesar de aposentado) e foi informado que eu havia sido seqüestrada. Ao fundo, ele ouvia uma voz de mulher pedindo socorro e chorando muito. Como esse golpe já é antigo, ele perguntou para o suposto seqüestrador, qual o meu nome. É claro que o dito cujo não sabia. Só respondeu que não podia falar e que iria me matar. Pois meu pai, o velho e querido Nagib, disse na lata: "pois então mate". E bateu o telefone.
Com os joelhos tremendo e o coração disparado, telefonou para minha mãe só para certificar se ela tinha falado comigo e se eu estava bem.
Eu estava no hospital, trabalhando desde às 07:00 horas. Quando fiquei sabendo do que aconteceu, fiquei triste e revoltada. Triste, porque meu pai não merecia passar por este susto nem sofrer por minha causa, pois por mais que se saiba que é um golpe, a tendência é sentir medo e pensar "e se for verdade?". Revoltada, porque pessoas inescrupulosas acham-se no direito de tentar extorquir dinheiro de gente honesta e trabalhadora, utilizando-se deste tipo de expediente. O pior e mais doloroso de tudo, é sentir-se impotente, pois não se tem o que fazer!!!
É claro que entrei em contato com ele, precisava tranquilizá-lo. Falei brincando, assim que ele atendeu o telefone: "Oi, pai, quer dizer então que fui sequestrada?"
E ele chorou!!!
De alivio!!!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Caráter





"As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações."

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Seja um idiota, por Arnaldo Jabour



Hoje estou completamente sem idéia para escrever. Minha cabeça e meu corpo estão completamente cansados, fiquei literalmente o dia todo no hospital (trabalhando, gente, minha saúde vai bem, obrigada!), correndo entre a rotina e uma reunião, chata e demorada!!! Decidi postar este texto do Arnaldo Jabour, espero que gostem.

SEJA UM IDIOTA


A idiotice é vital para a felicidade.


Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.


No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.


Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.


Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...


Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?


É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.


Dura, densa, e bem ruim.


Brincar é legal. Entendeu?


Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.


Pule corda!


Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.


Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...


Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!


Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?


A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!


domingo, 24 de agosto de 2008

Capital Inicial e Kiko Zambianchi - Primeiros Erros



"Meu destino é cada manhã..."

Destaque e Selinho



Olha só que lindo!!!!
A Izi, amiga muito querida, pianista e poetisa talentosa, me ofereceu destaque no blog dela. É uma demonstração maravilhosa de amizade e carinho!
Obrigada, Izi!!!!



Recebi o selinho acima da Resolvida! Adorei!

Repasso para a Carol, Izi, Jan e Juju!

sábado, 23 de agosto de 2008

Sheila Levine está morta e vivendo em Nova York



Calma! É só o título do livro que acabei de ler, aliás respiro livros (acho que você já sabe disso, não é?). Sheila Levine está morta e vivendo em Nova York, foi escrito por Gail Parent na década de 70 e relata a história de uma moça judia, solteira (solteirona, para a família e amigos judeus), de nariz grande (entre as duas alternativas de presente de formatura, escolheu um casaco de peles. A outra era uma plástica no nariz.) e sempre acima do peso. Não conseguiu seguir a profissão para qual se graduou (arte dramática) e depois de datilografar durante bastante tempo numa gravadora(sim, se passa antes da era da informática. Década de 70, lembra?), acabou trabalhando como professora. Relacionamentos? Desastres acumulados. Até que um dia, já aos trinta anos, cansada de tudo, resolve suicidar-se e o livro nada mais é do que o seu bilhete suicida.


É extremamente divertido, uma narrativa gostosa e nem um pouco deprimente. E é impossível, em muitas coisas, não identificar-se com ela! Para quem está a procura de um livro leve e com vontade de rir um pouco, vale a leitura.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Mudanças nas leis de adoção

Há que se comemorar e muito!

Por fim as leis foram revistas e modificadas e a espera, tanto para as crianças que aguardam um lar e uma família, quanto para os casais que querem um filho, com certeza irá diminuir!

Porém, à parte da lei, é necessário que os casais candidatos à adoção, revejam seus critérios e estabeleçam menos exigências, afinal, quando se tem um filho biológico, não se escolhe nada. Sexo, cor e tipo de cabelo, tom de pele, cor dos olhos, tudo fica por conta da natureza!!! Então, porque na hora de adotar, a maioria dos casais fica fazendo exigências? Acho importante num momento de mudanças, que também hajam mudanças nesse sentido!!! Refletir à respeito e reavaliar os valores com relação à maternidade/paternidade é de extrema importância ao se optar pela adoção.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Bullying



Eu não sabia bem o que é bullying, mas acabei descobrindo da pior maneira: com o sofrimento da minha filha na escola.

No decorrer deste ano mandamos vários recados na agenda da escola pelo fato dela vir sendo agredida, com frequência, pelos meninos da mesma turma que ela e recebendo apelidos que a constrangiam. Sempre tentamos contornar, reforçando-a e a orientando para manter-se longe deles, ao mesmo tempo que cobrávamos uma atitude da professora.

Há cerca de 10 dias atrás, a situação agravou-se! Enquanto aguardava para ir embora ao términoda aula, já no pátio da escola, alguns meninos começaram a provocá-la, jogando um ioiô na cabecinha dela, chutando-a nas pernas e chamando-a por apelidos agressivos (porca, era um deles). Chegaram ao ponto de pegar a mochila dela, virarem-na de ponta cabeça, para que as moedinhas que ela tinha caíssem para, então, eles se apoderarem. Pode? Até roubo ela sofreu!!! Tudo em questão de 20 minutos!!!!! Ela aguentou até onde pode, chamou a professora que cuida das crianças na saída e a mesma não deu atenção. Até que não deu mais e ela partiu com tudo prá cima de um dos meninos e começou a bater. Bateu muito! E o que me preocupou , é que ela mesma me disse, quando me contou o que aconteceu, que "não conseguia parar de bater, mamãe, eu não queria mais bater, mas não conseguia parar". Ela perdeu completamente o controle! Ela que é uma criança dócil e amorosa! Não é, nem nunca foi, agressiva!

Eu não consigo conceber que crianças de 8 anos ajam de maneira tão cruel, tão sem limites! A nossa sorte é que a Ana Clara tem absoluta confiança em nós, ela sabe que vamos resolver o problema de qualquer maneira e por essa razão ela nos conta tudo.

No mesmo dia, logo que cheguei em casa, tentei agendar um horário com a coordenadora educacional para conversarmos e obtermos uma solução, mas é claro que ela não estava e não retornou a minha ligação. Mandei, então, um recado na agenda solicitando uma reunião com urgência.

No dia e no horário marcado, eu e meu marido, comparecemos à escola para dita reunião. Falamos tudo, mas tudo mesmo, o que estava entalado na garganta por conta do sofrimento inflingido à nossa filha. Assim como os pais têm que prestar atenção e levar em consideração os sinais que os filhos apresentam ou aquilo que eles contam, a escola precisa considerar as reclamações dos pais, e fazer a sua parte! Cobramos, sim e exigimos, sim, fizemos o nosso papel de pais. E se mais pais fizessem o mesmo, as escolas seriam obrigadas a cuidar com mais atenção da disciplina.

O bullying corre solto nas escolas, e não ocorre só dos mais velhos para os mais novos, ou dos mais fortes para os mais fracos, ocorre entre os iguais!!! E isto é muito apavorante! Pode ter certeza que se antes já eramos cuidadosos, agora seremos 3 vezes mais. Para nós é de extrema importância que nossa filha cresça emocionalmente saudável, com sua auto-estima preservada, íntegra e segura de sua capacidade. E com a certeza de nosso amor por ela.