Mulheres Magras Demais
Choca esta imagem, não é?
É esta a intenção!!!
Assisti a um documentário feito por uma fotografa americana, que está ingressando no cinema, sobre mulheres com distúrbios alimentares. O documentário enfoca, principalmente, cinco mulheres com idades variadas e com nível sócio-econômico-cultural distintos, tendo em comum a bilimia e/ou anorexia.
Foi extremamente chocante e, ao mesmo tempo, esclarecedor dentro da sua crueza, nada foi escondido ou amaciado, nem tão pouco romantizado. Fiquei assustada com a falta de controle a que se chega, a perda de domínio do organismo e a visão distorcida da própria imagem que essas mulheres tinham. Estavam magérrimas e ainda assim viam-se gordas, ficavam com raiva de si mesmas a cada 100g adquiridas (e tão necessárias para a sobrevivência). Uma delas veio com apenas 36 kilos, com sonda de gastrostomia, e mesmo assim o medo de engordar era mais forte: logo após receber a dieta, ela destampava a sonda e com auxilio de movimentos musculares do abdomem, drenava todo o alimento recebido (posteriormente, com o andamento do tratamento, a sonda foi retirada). Outra, uma mulher próxima dos 40 anos, chorava ao se alimentar e chorava ainda mais quando terminava a refeição, de vontade de vomitar. E todas controlavam as calorias ingeridas.
A clínica em que estavam era extremamente rígida e empenhada na recuperação de cada uma delas, se haviam regras estabelecidas que precisavam ser rigorosamente seguidas por todas, também havia o empenho e a dedicação de todos os membros da equipe multidisciplinar. Não havia dengo, chamego, diferenças no trato individual, e muito menos passava-se a "mão na cabeça", mas em troca não faltava estímulo, apoio e incentivo. Todas, sem excessão, tinham, e eram cobradas por isso, sua parcela de responsabilidade para o sucesso do tratamento: sem vontade e perseverança não há melhora e posterior cura.
Bom, indo mais para o fim, dessas pacientes enfocadas, nenhuma se recuperou de imediato. Uma, com apenas 15 anos, não quis mais permanecer e a mãe foi buscá-la, continuando com os distúrbios alimentares. Perdeu rapidamente o (pouco) peso que havia adquirido. Outra foi mandada embora por esconder medicamentos no guarda-roupa e ainda estimular as colegas a quebrarem as regras, indo contra o tratamento estabelecido. Ela sabotou a própria recuperação e estava tentando sabotar a das outras. As outras três tiveram alta médica, mas também tiveram recaída e perderam peso, porém voltaram a procurar outras formas de tratamento, em busca da recuperação definitiva. Se conseguiram não sei, mas estavam tentando.
O que esqueci de dizer é que cada uma delas tinha o apoio incondicional da família.
Não sou uma pessoa que se choca facilmente, mas dessa vez fiquei e muito. Não fazia ideia de quão devastadora é esta doença, o quanto corrói interiormente um ser humano e, junto, as pessoas ao redor . Não sei o que leva a isto, qual a origem, mas não acredito que seja apenas a ditadura da beleza. Talvez seja a ditadura da beleza, que estabelece que só é bonita quem é magra, aliada a uma baixa auto-estima e uma cobrança da sociedade que discrimina as diferenças.
Espero que mais pessoas tenham visto este documentário e que, como eu, tenham se conscientizado que o importante é ser saudável e aceitar a sua estrutura física como é.
